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domingo, 19 de maio de 2013

Relatório de visita ao Studio Clio

- Data da Visita -
4 de maio de 2013.

- Dados do Espaço -
Nome: Studio Clio Instituto de Arte & Humanismo
Endereço: Rua José do Patrocínio, 698, Cidade Baixa, Porto Alegre/RS
Tipo de instituição: Segundo Francisco Marshall, curador cultural do instituto, não há um termo formal que define o tipo de instituição no qual o StudioClio se enquadra, apesar de alguns confundirem com uma casa do saber. No site da instituição o lugar é referenciado como "espaço para experiências de conhecimento e imaginação".

- Estrutura Física -
O instituto fica em um prédio construído em 1924 e reformado em 2004/2005. A construção dispõe de auditório, café, mezanino e microgaleria.

- Pessoal -
Atualmente a equipe responsável pelo funcionamento do instituto é composta da seguinte forma:

Curador cultural - Francisco Marshall
Curador adjunto - Tiago Halewicz
Sócio-gerente - Otávio Marshall
Atendimento - Bruno Lentz e Natasha Piva
Segurança - Davi da Silva Rodrigues
Contra-regra - Mateus Vieira
Assessoria de comunicação - Núcleo Hermes de Comunicação
Designer gráfico - Victoria Campello
Produção - Fátima Costa

- Atividades desenvolvidas -
O instituto propõe atividades transdisciplinares que abordam diferentes conteúdos da história cultural e universal. Sua programação integra a arqueologia, as artes visuais, o cinema, a dramaturgia, a filosofia, a gastronomia, a história, a literatura, a moda e a música, dentre outros campos científicos, em atividades expressas de diversas formas.

- Profissional que guiou a visita -
Francisco Marshall, curador cultural do instituto. Responsável pela concepção da programação científica e cultural. Licenciado em História pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (1988) e doutorado em História Social pela Universidade de São Paulo (1996), Francisco Marshall realizou pós-doutorado na Princeton University (NJ, EUA, 1998), como bolsista Capes-Fulbright, convidado de Peter Brown, e na Ruprecht-Karls-Universität Heidelberg (Alemanha, 2008-9), como bolsista da Fundação Alexander von Humboldt. É professor associado da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, atuando no Depto. e PPG História (IFCH) e no PPG Artes Visuais (IA). Tem experiência nas áreas de História e de Arqueologia Clássica, com ênfase em História Antiga e Medieval, atuando principalmente em história antiga, arqueologia clássica, museologia, iconologia, estudos do imaginário e história da cultura.

- Assuntos abordados pelo profissional -
Francisco Marshall falou sobre a história e formação do StudioClio, fundado em 20 de setembro de 2005 por seu irmão e ele, com capital majoritariamente advindo de herança deixada pelo avô (cerca de 1 milhão e meio de dólares). 

Segundo Marshall, o instituto desempenha o papel de um "fármaco intelectual cultural pós-freudiano", com a pretensão de ser um espaço que que é "tudo ao mesmo tempo", integrando atividades transdisciplinares de arte e humanísticas, em diversas formas de expressão. "Único lugar assim no mundo". Para ele, a transdisciplinaridade é uma maneira de curar a fragmentação da vida contemporânea.

Marshall destacou que um dos papéis do instituto é pensar na memória cultural e representá-la de modo estético, a fim de criar indexadores culturais nos indivíduos, de forma didática. Para isso, o studio conta com um auditório multimodal com infraestrutura de cinema digital, onde são apresentadas apenas imagens em altíssima resolução e bem contextualizadas. Este auditório também pode tornar-se uma sala de concertos, uma sala de banquetes, uma sala de aula com recursos audiovisuais ou um clube de jazz ideal para instrumentos acústicos.

- Fontes -
Anotações feitas durante a visita;
Site do Studio Clio: http://www.studioclio.com.br/
Currículo Lattes do profissional que guiou a visita: http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?metodo=apresentar&id=K4763606A0
Acessados em 19 de maio de 2013.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

VOCÊ ESTÁ AQUI

Semana passada, como atividade proposta para disciplina de Fundamentos das Artes Visuais, ministrada pela Professora Elida Tessler, visitei pela primeira vez o Estúdio Galeria Mamute, surpreendentemente a umas duas quadras da minha casa, no centro de Porto Alegre.
Lá estava em exposição uma mostra de Daniel Escobar: "você está aqui". Com curadoria de Bernardo José de Souza.

Ao chegar fui muito bem recebido pela diretora do estúdio, Niura Borges. Simpática e atenciosa, contou um pouco sobre a história do lugar, que já funciona neste local há cerca de 2 anos, promovendo exposições de arte, mostras audiovisuais, cursos, palestras, intercâmbios e residência artística. Feito isso, tivemos uma breve conversa sobre a mostra ali exposta antes dela se retirar rumo ao escritório situado aos fundos da galeria.

- A mostra -

A disposição e tamanho das salas do estúdio, bem como o fato das mesmas estarem em um prédio antigo (aqueles do centro com arquitetura portuguesa do fim do século XIX, início do XX) tornam o ambiente aconchegante e proporciona contato próximo com as obras. Lá estavam acomodadas as 5 que integram a mostra.

A primeira obra que observei chama-se "Permeável XXV (Perto Demais)". Trata-se de um cartaz composto por diversas camadas resultantes da colagem e sobreposição de fragmentos de outdoors doados por empresas colaboradoras, que recebem a interferência de pequenos furos, produzidos com um perfurador de escritório. Vi representado nesse quadro uma síntese do aglomerado de informações visuais que recebemos passivamente todos os dias no espaço urbano. Também acho que a "permeabilidade" que os furos atribuíram à imagem (ou às imagens) remete à efemeridade de tais informações, ao mesmo tempo que confere um tom misterioso à informação resultante da soma das demais.
Permeável XXV (Perto Demais), 2012. Foto: Márcio Oliveira
Próxima à Permeável XXV, estava a "Scrollbar", composta por fitas adesivas sobre uma das paredes da sala. A imagem é o resultado direto de uma projeção do entorno do centro de Porto Alegre obtido no Google Maps. Me chamou a atenção o detalhe da fita vermelha, posicionada no ponto do mapa onde está o estúdio, como se estivesse me passando a mensagem que sempre procuramos em um mapa quando estamos perdidos: "Você está aqui". 
Scrollbar, 2013. Foto: Márcio Oliveira
A transição da primeira para a segunda sala é guiada por uma parte da instalação que compõe a terceira obra: "Continuous". Composta por tiras de papel branco que saem de máquinas fragmentadoras de ferro alimentadas por bobinas. No centro, as tiras vindas de diferentes direções formam um entrelaçado de linhas horizontais, verticais e diagonais que remontam as vias urbanas da parte planejada da cidade de Belo Horizonte. A exatidão e simetria das ruas bem construídas entra em contraste com a confusão das tiras de papel que as dão origem. O próximo passo seria transferir a rigidez arquitetônica do centro para as tortuosas vias periféricas ou inserir uma dose de "caos" na parte planejada?
Continuous, 2012. Foto: Márcio Oliveira
Em uma das paredes vizinhas à obra "Continuous" estavam 3 quadrinhos que formam o "Atlas de Anatomia Urbana". Mais uma vez inspirado em Belo Horizonte, estão expostos guias turísticos da cidade, com recortes que davam um caráter de escultura aos livros a partir de uma "excavação" das páginas. O resultado imediato é a revelação dos cruzamentos entre os mapas das diferentes regiões da capital mineira.
Atlas de Anatomia Urbana, 2012. Foto: Márcio Oliveira
Por último, em um quartinho no fim da galeria, intencionalmente mal iluminado, estava exposta sobre uma mesa a obra "The World". Uma série de guias turísticos de diversos países (França, Inglaterra, México, Italia, Cuba, Mongolia e EUA) abertos sobre uma mesa de madeira. A colagem de imagens retiradas dos próprios guias de forma vertical sobre eles deram um efeito muito legal. Um novo conceito em guias turísticos, tipo aqueles livros pop-up.
Guia turístico da Itália. The World, 2011. Foto: Márcio Oliveira
Guia turístico de Pequim. The World, 2011. Foto: Márcio Oliveira
Ao me despedir da mostra, da Niura e da galeria, concluí que uma das mensagens que a mostra transmite é: Você está aqui. Aqui no centro de Porto Alegre, no espaço urbano, na cidade, no mundo, dinâmico, vivo, movediço, em constante evolução e que merece ser explorado.

Como proposto pela Professora Elida, segue minha pergunta para o Daniel Escobar: Daniel, percebi uma sequência lógica dada pela ordem de apresentação das obras: Porto Alegre (o lar de origem), Belo Horizonte (mudança para cidade maior e distante de casa) e mundo (estágio mais avançado desta libertação e desprendimento). O quarto que representa o mundo ainda é pequeno e mal iluminado (um ambiente até um pouco onírico). Algum dia pretendes fazer o caminho inverso, em ordem e tamanho?

domingo, 14 de abril de 2013

Relatório de visita ao Arquivo Histórico do Instituto de Artes da UFRGS

- Data da Visita -

23 de março de 2013.

- Dados do Espaço -

Nome: Arquivo Histórico do Instituto de Artes da UFRGS
Endereço: Rua Sarmento Leite 500, Sala 114, Bairro Centro Histórico, Porto Alegre.
Tipo de instituição: Arquivo Histórico

- Estrutura Física -

O arquivo é localizado nos fundos do prédio da antiga faculdade de medicina da UFRGS, no centro de Porto Alegre. A estrutura é relativamente precaria em relação a qualidade da maioria das prateleiras que acomodam os documentos. Porém, tudo parece bem organizado. O arquivo ainda dispõe de um scanner tamanho A3 para digitalização do acervo.

- Pessoal -

Atualmente o arquivo conta com uma arquivista, um técnico administrativo e dois bolsistas de iniciação científica.

- Atividades desenvolvidas -

Além de catalogar e armazenar documentos, o arquivo é responsável por manter viva a memória do IA e e das pessoas que passaram por ele. Nesse sentido, foi possível observar os esforços da arquivista Medianeira a fim de descobrir mais informações a respeito de documentos e fotos que não se sabe muito sobre. O arquivo ainda é aberto ao público para consulta de todo o material.

- Profissional que guiou a visita -

Medianeira Aparecida Pereira Goulart. Bacharel em Arquivologia pela Universidade Federal de Santa Maria, em 1993. Especialista em Gestão em Arquivos, em 2010. Arquivista na Universidade Federal do Rio Grande Do Sul. Atua nas áreas de gestão em arquivos, elaboração e desenvolvimento de projetos e sistemas de informação, memória, história e políticas de preservação e conservação de acervos.

- Assuntos abordados pela profissional -

A visita se deu na sala da arquivista Medianeira, responsável pelo arquivo. Lá ela nos recebeu e começou contando a história do IA, com muitos detalhes que já haviam sido colocados pelo prof. Paulo Gomes na visita ao instituto. No entanto, serviu como contextualização para as demais histórias sobre a constituição do arquivo, que se trata de um lugar onde muito da memória do instituto está guardado.

Medianeira relatou o descaso histórico que existiu no arquivo, com documentos, fotos e obras depositados em ambientes inapropriados, propícios a formação de mofo e suscetíveis a alagamentos, fatores que arruinaram muitos materiais. A partir deste cenário ela destacou a iniciativa decisiva para a reconstituição do arquivo realizada pelo prof. Sírio Simon.

Além da iniciativa do prof. Sírio, Medianeira nos contou com orgulho sobre suas batalhas pessoais para manter e ampliar a estrutura e os recursos físicos e humanos do arquivo, desde 2001. Batalhas que geraram várias conquistas e fizeram o arquivo hoje estar em uma situação confortável dentro da universidade.

- Fontes -

Site do Arquivo: http://www.ufrgs.br/arquivo-artes/icaatom/web/index.php/page/contato
Acessado em 5 de abril de 2013.

Relatório de visita ao Instituto de Artes da UFRGS

- Data da Visita -

16 de março de 2013.

- Dados do Espaço -

Nome: Instituto de Artes da UFRGS.
Endereço: Rua Senhor dos Passos, 248, Bairro Centro Histórico, Porto Alegre.
Tipo de instituição: Unidade acadêmica integrante da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

- Estrutura Física -

A unidade acadêmica é constituída por um prédio de 8 andares, na Rua Senhor dos Passos, Centro de Porto Alegre. Nele estão situados os departamentos de Artes Visuais, de Arte Dramática e de Música, além dos programas de pós-graduação em Música, Artes Visuais e Artes Cênicas.

- Pessoal -

Possui mais de 100 professores, 55 funcionários do corpo técnico-administrativo e cerca de 800 alunos matriculados na graduação e na pós-graduação.

- Atividades desenvolvidas -

Atualmente o Instituto de Artes funciona como uma unidade universitária da UFRGS, disponibilizando cursos de graduação, pós-graduação, pesquisa e extensão em artes visuais, dramáticas, música e história da arte. Além das atividades presenciais, também são disponibilizadas aulas à distância de licenciatura em artes visuais e música.

- Profissional que guiou a visita -

Paulo Gomes. Artista plástico, curador independente e professor na UFRGS. Mestre e Doutor em Artes Visuais – Poéticas Visuais, pela UFRGS. Desenvolve pesquisa na área de Poéticas Visuais, sobre arte contemporânea e arte no Rio Grande do Sul. Tem textos publicados em livros, revistas e jornais.

- Assuntos abordados pelo profissional -

O profissional demonstrou grande conhecimento da história do instituto e sua situação atual. Inicialmente aconteceu uma conversa em sala de aula, onde o mesmo contou sobre sua fundação em 1908 (então chamado Instituto Livre de Belas Artes), pelo médico Olinto de Oliveira. Segundo Paulo, o termo "Livre" significava que o instituto era livre de filiação estatal ou religiosa. Paulo ainda contou sobre os primeiros anos do instituto, seus professores e diretores mais importantes e de como ele foi uma das unidades acadêmicas que deram início à UPA (Universidade de Porto Alegre), em 1939. Esta integração à Universidade de Porto Alegre não durou muito tempo, devido a um suposto preconceito de cursos como engenharia e medicina para com os cursos de artes. Contudo, em 1962 o IA é integrado à UFRGS.

Paulo ainda destacou que o prédio onde estávamos teve sua construção concluída em 1943 e se tratava da obra central de um complexo de 3 prédios. O projeto original previa este prédio, com salas de aula e secretarias, e doi laterais, constituindo um teatro e um museu. Entretanto, não foi possível levantar a quantia necessária para a realização plena do projeto, e assim, apenas o prédio atual foi construído, com capital obtido através de hipotecas das casas e bens dos professores do Instituto.

Após a conversa em sala de aula sobre a história do IA, realizamos uma caminhada guiada pelas dependências do Instituto. Durante ela, nos foram apresentados os locais que antigamente acomodavam o salão de festas e o bar, locais que não existem mais devido à baixa demanda do bar e à falta de espaço para salas de aula, que fizerem o salão de festas ser extinto. Paulo destacou que o salão de festas certa feita foi "vandalizado" por alunos, que pintaram uma das paredes de preto, para supostamente deixar o ambiente mais adequado para as festas que ali ocorriam. Acontece que na parede havia um painel pintado por um dos antigos professores do instituto, perdido debaixo da tinta.

Por fim, visitamos a pinacoteca e a reserva técnica do instituto e nos despedimos do mesmo ao passar pelas moulages do Apolo de Belvedere e da Vênus de Milo que emolduram a entrada.

- Fontes -

Site do IA: http://www.ufrgs.br/artes/
Panorama Crítico: http://www.panoramacritico.com/revista/index.php/expediente
Wiki do IA: http://pt.wikipedia.org/wiki/Instituto_de_Artes_da_Universidade_Federal_do_Rio_Grande_do_Sul
Todos acessados em 5 de abril de 2013.