terça-feira, 8 de outubro de 2013

Questão sobre O Paraíso Perdido, de John Milton

No Canto IV de Paradise Lost o poeta John Milton apresenta a figura de Satã de modo particularmente complexo. Delineie, brevemente, a partir da leitura do canto, o perfil dessa personagem, justificando a resposta por meio do comentário à algumas passagens do poema.

Satã é retratado no texto como um ser que vive em profunda desgraça, muito confuso e vivendo um grande remorso pelo castigo que recebeu:

"O horror medonho, a dúvida terrível,Confundem-lhe os turbados pensamentosQue lhe acendem o Inferno dentro d’alma:O Inferno traz em si, de si em torno;Não pode um passo dar fora do Inferno,Porque, onde quer que vá, leva-o consigo!Remordida a consciência lhe despertaA desesperação que dormitava;Desperta-lhe a lembrança desabridaDo muito que já foi, do que é agora,Do que há de ser, a pior sempre indo tudo:Crescendo as obras más, cresce o castigo."
Satã demonstra aborrecimento ao voltar-se para o Sol e recordar do paraíso de onde foi banido.

"Porém sim articulo, ó Sol, teu nomePara te assegurar quanto aborreçoTua luz que à lembrança me recordaO ledo estado de que fui banido!"
Mesmo tão amargurado, é interessante observar, a partir do trecho seguinte, que Satã se arrepende de sua desgraça e de certo modo põe culpa em Deus por ter lhe dados muitos poderes, incitando sua ambição e ganância. Sentimentos que acabaram lhe custando caro.

"Onde há ônus aqui? Feliz eu fora,Se o poderoso Deus me houvesse feitoDe inferior jerarquia um simples anjo!Assim nunca esperança desmedidaMe ateara da ambição o horrendo fogo!"
Contudo, Satã é muito orgulhoso, e mesmo sentindo algo parecido com arrependimento, jamais pediria perdão e voltaria a ser submisso a Deus.

"Ai de mim! que afinal ceder me cumpre!E como hei de mostrar que me arrependo?Por que modo o perdão obter eu posso?Só pela submissão... Palavra horrível!Meu nobre orgulho atira-te bem longe,Repele-te a vergonha que eu sentira."
Por fim, mesmo considerando a hipótese de voltar ao seu estado original, Satã aceita sua própria natureza como imutável, e assume que não teria grandeza neste cenário.

"Inda mais: — se eu pudesse arrepender-meOu, por decreto da divina graça,Alcançar meu estado primitivo,Logo essa elevação em mim ergueraPensamentos de orgulho que anulassemQuanto jurara submissão fingida:Anularia a prístina grandeza"

Questão sobre o Discurso do Método, de René Descartes

No Discurso do Método Descartes, em busca do método ideal, selecionou, a certa altura, apenas quatro preceitos de Lógica. Quais são eles? Em que medida você acha que podem ser relacionados a uma "perspectiva racional sobre o mundo"? Justifique sua resposta com algumas ideias extraídas do texto. 

Descartes escolheu os seguintes preceitos lógicos para seu método:
  1. Nunca aceitar coisa alguma como verdadeira sem que a conhecesse evidentemente como tal; ou seja, evitar cuidadosamente a precipitação e a prevenção, e não incluir em meus juízos nada além daquilo que se apresentasse tão clara e distintamente a meu espírito, que eu não tivesse nenhuma ocasião de pô-lo em dúvida.
  2. Dividir cada uma das dificuldades que examinasse em tantas parcelas quantas fosse possível e necessário para melhor resolvê-las.
  3. Conduzir por ordem os pensamentos, começando pelos objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir pouco a pouco, como por degraus, até o conhecimento dos mais compostos; e supondo certa ordem mesmo entre aqueles que não se precedem naturalmente uns aos outros.
  4. Fazer em tudo enumerações tão completas, e revisões tão gerais, que se tenha certeza de nada omitir.
Os preceitos estão fortemente ligados a uma visão racional sobre o mundo, uma vez que Descartes acredita que apenas pela razão é possível obter verdades sobre todas as coisas a fim de aumentar seu conhecimento de forma consistente. Por isso, ele extraiu tais preceitos da lógica, da geometria e da álgebra.
René Descartes
É interessante observar que Descartes constrói as ideias que o ajudam a eleger tais preceitos para seu método com base em observações que o levam a duvidar de conceitos e opiniões comuns existentes quando os mesmos não são sustentados por provas univocamente verificáveis. Como é possível interpretar em trechos como o seguinte:
"Pois parecia-me que poderia encontrar muito mais verdade nos raciocínios que cada qual faz sobre os assuntos que lhe dizem respeito, e cujo desfecho deve puni-lo logo depois, se julgou mal, do que naqueles que um homem de letras faz em seu gabinete, sobre especulações que não produzem nenhum efeito, e que não terão outra consequência a não ser, talvez, a de que extrairá delas tanto mais vaidade quanto mais afastadas estiverem do senso comum, pelo fato de ter tido de empregar tanto mais espírito e artifício para torná-las verossímeis."
Além disso, Descartes também relata que mesmo tendo olhado para outras ciências cultivadas por "excelentes espíritos", não encontrou o que buscava:
"Nada direi da filosofia, a não ser que, vendo que foi cultivada pelos mais excelentes espíritos que viveram desde há vários séculos, e que, não obstante, nela não se encontra coisa alguma sobre a qual não se discuta e, por conseguinte, não seja duvidosa, eu não tinha tanta presunção para esperar me sair melhor do que os outros; e que, considerando quantas opiniões diversas pode haver sobre uma mesma matéria, todas sustentadas por pessoas doutas, sem que jamais possa haver mais de uma que seja verdadeira, eu reputava quase como falso tudo o que era apenas verossímil."
Entre esses [pensamentos], um dos primeiros foi a consideração de que frequentemente não há tanta perfeição nas obras compostas de várias peças, e feitas pelas mãos de vários mestres, como naquelas em que apenas um trabalhou.

Questão sobre os Sonetos Luxuriosos, de Pietro Aretino

Sobre os sonetos contidos neste livro literalmente "maldito", escreve José Paulo Paes, tradutor da edição brasileira que acabamos de ler, o seguinte: "Neste sentido, quer pela crueza da linguagem, quer pela carnalidade de sua temática, os sonetos aretinianos podem ser considerados o avesso da poesia culta de sua época, a qual [...] recebera de Dante e de Petrarca o gosto pela divinização da mulher [...]" (PAES, José Paulo. Uma retórica do orgasmo. In: ARETINO, Pietro. Sonetos Luxuriosos. São Paulo: Companhia das Letras, 2011. p. 32-33). Desenvolva, através de comentários próprios e de exemplos tirados dos sonetos de Aretino, essa hipótese apresentada por Paes. 

Os versos de Aretino validam amplamente a hipótese apresentada pelo tradutor. Ao abordar uma temática extremamente carnal, em um texto descritivo, o autor faz bom uso de linguagem crua e direta, apesar de usar, por vezes, rimas pobres como a formada pelas palavras "nabo" e "rabo".
Ao descrever explicitamente um modo de vida libertino, criando uma ode ao sexo, Aretino fatalmente quebra o paradigma de divinização da mulher, que aqui deixa de ser intocável e tem suas partes erógenas citadas e à exaustão:

"Que notável prazer não tereis tido
De ver a cona ou o cu nessa apertura,
Em modos incomuns de ser fodido.
...
Na cona hei de foder-te boa data
De vezes, pois em cona ou cu entrando,
O pau faz-me feliz e a ti beata."

sábado, 20 de julho de 2013

Questões sobre a Arte de Amar, Os Campos Perfumados, Philobiblon e Divina Comédia

A Arte de Amar, de Ovídio

Neste primeiro livro de A arte de amar Ovídio oferece orientações ao homem que deseja conquistar uma mulher (solteira ou casada) na sociedade romana. Comente alguns dos conselhos que ele apresenta.

Ovídio traz uma série de conselhos e dicas em uma espécie de manual da vida amorosa de um homem romano. Abaixo estão alguns deles.

PLANO

Antes de começar a das seus conselhos, Ovídio recomenda que o homem escolha um 'alvo' para focar suas ações a fim de fazer ceder a mulher que o agrada:
"Antes de mais, o que quiseres amar, trata de procurá-lo, tu que acabas de entrar, feito soldado, em exército novo; logo depois, hás de empenhar-te em fazer ceder aquela que te agradou;"
PROCURA

Aqui, Ovídio comenta a arte de procurar mulheres, fazendo uma analogia com o ato de caçar:
"Conhece bem p caçador em que lugares há de aos veados estender as redes; conhece bem por que vales vagueia o javali, de dentes afiados; são conhecidos dos passarinheiros os arbustos; aquele que arma o anzol conhece as águas onde nadam os maiores cardumes; assim também tu, que buscas matéria para um amor duradouro, aprende, primeiro, em que lugares abundam as mulheres."
Segundo Ovídio, Roma é farta em mulheres para variados desejos:
"A ti, porém, tantas e tão formosas mulheres de dará Roma, que hás de dizer: 'Esta cidade possui quanto no mundo foi criado' ".
LUGARES DA SEDUÇÃO

Nesta seção, Ovídio comenta sobre os lugares onde pode ocorrer a sedução e mulheres podem ser levadas a fim de que se proceda o cortejo.
"Basta passeares com vagar à sombra do pórtico de Pompeu, no tempo em que o sol avança sobre as costas do leão de Hércules…"
Inclusive, Ovídio fala sobre os diferentes tipos de amor encontrado em lugares específicos:
"Mas tu dedica-te à caça em especial nas arcadas dos teatros; aí vais descobrir o que amar, o que podes usar por diversão, o que tocarás uma vez, o que quiseres guardar por mais tempo."
Assim, Ovídio continua abordando diversos tópicos úteis para o homem romano se dar bem na vida amorosa. Entre estas seções estão: Os Jogos, O Circo, Encenação de um combate naval, Cortejo Triunfal, O Banquete, Outros Lugares, A Sedução, A Mulher e o Desejo, A Paixão Feminina, Seduzir a Criada, A Ocasião, Cartas de Amor, A Arte da Palavra, A Beleza Masculina, O Vinho, Fingimento e Lisonja, Juras e Promessas, entre outros.

Os Campos Perfumados, de Muhammad Al-Nafzawi

Ainda que Os Campos Perfumados, redigido por Muhammad al-Nafzawi no séc. XV, período próspero na Tunísia, tenha sido com frequência recebido no Ocidente como uma obra "erótica", René Khawam, autor do prefácio que acompanha a edição brasileira, chama a atenção para a importância da "matéria médica" e das observações psicológicas e sociais na estruturação do texto, um "livro de educação pelo exemplo". Em sua opinião, é possível encontrar no trecho lido exemplos, elementos que corroborem o ponto de vista de Khawam?

Na minha opinião estes elementos existem, uma vez que o texto tem caráter científico mesmo trazendo informações obtidas empiricamente, como esta:
"Com efeito, as mulheres desejam encontrar em seu parceiro, por ocasião da cópula, um aparelho de boas dimensões, cujo gozo se estenda ao longo do tempo."
Considero estas assertivas meras constatações de um conhecimento que o autor obteve provavelmente por observação ou experiência vivida.

Ainda, Muhammad Al-Nafzawi traz informações úteis que podem ser utilizadas de forma educativa, como o fato de usar perfumes para supostamente ter uma cópula de maior qualidade:
"A utilização dos perfumes para os homens e para as mulheres ajuda a cópula e a multiplica. Quando a mulher sente o cheiro do perfume no corpo do homem, ela se distende de maneira completa."
Portanto, não considero o texto uma obra erótica, mesmo que o tema abordado seja o sexo.

Philobiblon, de Richard De Bury

O reverendo Richard de Bury publicou, em 1344, o Philobiblon, uma verdadeira declaração de amor aos livros e à cultura letrada. O capítulo que lemos, o IX, intitula-se "De como os antigos estudantes eram superiores aos atuais em fervor discente". Por que, afinal, na opinião de Bury, eram esses antigos estudantes superiores em "fervor discente"?

Para Richard De Bury, o ardor por aprender dos antepassados era muito maior do que o de seus contemporâneos, uma vez que estes "consagravam a sua vida inteira [aos estudos], enquanto que nossos contemporâneos passam os fecundos anos de sua juventude dominados pelo vício."

O autor cita como causa deste desinteresse dos discentes de sua época pelo aprender e os estudos a preferência às "fumegantes obrigações da juventude" frente a qualquer dificuldade encontrada. Além disso, a ambição é destacada como outro fator que desvia os jovens de pesquisas e estudos profundos.

Divina Comédia, de Dante Alighieri Canto IV

Os termos em que o legado da Antiguidade Pagã deveria ser incorporado pelo Cristianismo foram motivo de grandes debates desde os primórdios da Igreja. No famoso Canto IV do Inferno, Dante apresenta sua própria "solução" para esse impasse. De que forma Dante incorpora grandes figuras pagãs a um mundo cristão nesse canto? Que figuras o narrador, Dante, parece ali admirar mais?

Nos versos de Dante, os grandes nomes da Antiguidade pagã, virtuosos que não podem ser beatificados por não terem recebido o batismo, habitam um nobre castelo em uma região situada nas bordas do inferno, chamada de limbo. E esta é a "solução" de Dante para o impasse referido na pergunta, estes grandes vultos da antiguidade pagã não sofreram nenhum tipo de pena, mas também não obtiveram o direito de ir ao paraíso, como Virgílio diz a Dante:
Meu Mestre a mim: "Não te ouço perguntar
que espíritos são esses que tu vês:
eles, te explico antes de mais andar,

não pecaram, mas não têm validez,
sem batismo, seus méritos, e isto
faz parte dessa fé na qual tu crês;

e os que tenham vivido antes de Cristo
não adoraram Deus devidamente,
e eu dessa condição também consisto.
As figuras que Dante enfatiza como grandes sábios, além de Virgílio e de si mesmo são: Homero, Horácio, Ovídio e Lucano. Como podemos observar nos seguintes versos:
logo ouvi do guia a chamada:
"Olha o que vem à frente qual decano
dos outros três, segurando uma espada;

ele é Homero, poeta soberano;
o satírico Horácio junto vem,
terceiro é Ovídio e último Lucano."

sábado, 22 de junho de 2013

Relatório de visita ao Estúdio Galeria Mamute

- Data da Visita -
18 de maio de 2013.

- Dados do Espaço -
Nome: Estúdio Galeria Mamute
Endereço: Rua Caldas Júnior, 375, Centro Histórico, Porto Alegre/RS
Tipo de instituição: Espaço de arte destinado à criação, produção e circulação da tecnologia digital, com ênfase na imagem-movimento.

- Estrutura Física -
Localiza-se no Centro Histórico de Porto Alegre, em um espaço tombado pelo patrimônio histórico da cidade, com arquitetura de estilo eclético, mesclando elementos neoclássicos, barroco e Art Nouveau. Antigo prédio onde morava uma família, construído em 1925.

- Pessoal -
São 4 pessoas envolvidas diretamente com as atividades, Niura Borges, seus 2 filhos e Leocádia Costa.

- Atividades desenvolvidas -
Promove a exposição de video-arte, mostras audiovisuais, cursos, palestras, intercâmbio e residência artística. O espaço foi criado para representar um local de discussão, prática e exposição das artes. Trata-se da primeira galeria direcionada para as novas tecnologias na arte.

- Profissional que guiou a visita -
Niura Mariza Oliveira da Silva Borges, diretora da galeria. Mestre em Artes Visuais Programa de Pós-Graduação em Artes Visuais, UFRGS (2008); Especialista em Poéticas Visuais: Gravura, Fotografia e Imagem Digital - FEEVALE, Novo Hamburgo, RS (2004); Especialista em Psicopedagogia CEP/ Universidade Federal do Rio de Janeiro. Rio de Janeiro, RJ. Pesquisadora CNPQ Interartes: Processos e Sistemas Inter-artísticos e Estudos de Performance, Linguagem Visual, Sonora e Audiovisual, UFG/GO; Pesquisadora Imagem Escultura do Tempo, Instituto de Artes/UFRGS. Atua nas áreas da Arte e tecnologia, video-arte, audiovisual documental, experimental e performance.

- Assuntos abordados pelo profissional -
Ao chegarmos no prédio histórico onde está situado o estúdio, fomos recebidos com a proposta de exibição de um vídeo integrante da amostra que ocorria na ocasião: "Entre Sensíveis Pixels. Espaço - Tempo - Agora". Tratava-se de uma gravação feita dentro do mundo tridimensional virtual da plataforma Second Life, por Gabriel Mascaro, chamado As Aventuras de Paulo Bruscky (2010).
Após a exposição do vídeo, a turma teve um momento para conversar, ouvir e fazer perguntas à Niura Borges.
Niura resolveu abrir o Estúdio Galeria Mamute para proporcionar um lugar que desse espaço para a produção artística de imagem e tecnologia, primeira galeria a trabalhar com video-arte no Brasil. A fim de viabilizar sua idéia, buscou e obteve parcerias e apoios institucionais do Santander Cultural, GBOEX e Núcleo de vídeo do RS. Além, a galeria também comercializa obras, recebe investimentos e doações.
A diretora explicou que o processo de entrada de uma obra no espaço da galeria se dá da seguinte maneira:
1 - Artista entra em contato;
2 - Estúdio solicita portfolio;
3 - Estúdio analisa consistência das obras, se há algum investimento em pesquisa..
4 - Artista deve contribuir com uma obra, curso, palestra…
5 - Estúdio fornece espaço e curadoria.

- Fontes -
Anotações feitas durante a visita.
Site do Estúdio Galeria Mamute: http://www.galeriamamute.com.br/#!sobre/c161y
Site pessoal da Niura Borges: http://www.niuraborges.com.br/

Acessados em 22 de junho de 2013.

Relatório de visita à Bolsa de Arte de Porto Alegre

- Data da Visita -
8 de junho de 2013.

- Dados do Espaço -
Nome: Bolsa de Arte de Porto Alegre
Endereço: Rua Visconde de Rio Branco, 365, Floresta, Porto Alegre/RS
Tipo de instituição: Galeria de arte que promove a exposição e, principalmente, a comercialização de trabalhos de um grupo selecionado de artistas. Bem como disponibiliza consultoria para colocação e posicionamento de obras adquiridas por seus clientes.

- Estrutura Física -
A sede da Bolsa de Arte, com mais de 800 metros quadrados, conta com 2 pavimentos dispostos verticalmente. O primeiro é composto por hall de entrada, recepção, 2 galerias, acervo, cozinha, depósito e um jardim aos fundos. O pavimento superior possui mais 2 galerias, escritório e depósito.

- Pessoal -
Diretores:
Marga Pasquali e Egon Kroeff. 

Artistas Agenciados pela Bolsa de Arte atualmente:
Ana Michaelis
André Lichtenberg
Angelo Venosa
Begoña Egurbide
Carlos Pasquetti
Carlos Vergara
Clarissa Cestari
Clovis Dariano
Cristina Canale
Denise Gadelha
Eduardo Haesbaert
Fernando Ribeiro
Francisco Faria
Gabriela Machado
Gelson Radaelli
Hugo França
Jorge Menna Barreto
José Bechara
Leopoldo Plentz
Luiz Carlos Felizardo
Luiz Felkl
Marcos Chaves
Maria Tomaselli
Marina Camargo
Nelson Leirner
Nelson Wilbert
Patricio Farías
Regina Silveira
Saint Clair Cemin
Shirley Paes Leme
Teresa Poester
Valdir Cruz
Vera Chaves Barcellos

- Atividades desenvolvidas -
A Bolsa de Arte trabalha com arte contemporânea, representando artistas significativos do mercado brasileiro (listados anteriormente) e lançando novos talentos. A galeria realiza exposições e participa ativamente de feiras no Brasil e no exterior.

- Profissional que guiou a visita -
Marga Pasquali, diretora da Bolsa de Arte.

- Assuntos abordados pelo profissional -
Marga Pasquali nos recebeu com expressos no pavimento superior da Bolsa de Arte, mesa redonda no centro de uma das galerias.
A diretora deu atenção em sua fala aos aspectos financeiros e comerciais que envolvem a Bolsa de Arte, enfatizando que o lugar funciona de fato como uma loja. Entre as atividades estão a participação em 4 feiras de arte por ano, 2 no Brasil e 2 no exterior, a consultoria para colocação e posicionamento de obras vendidas e participação em fundos de investimento em arte, e.g. Brazilian Gold Fund.
Sobre a importação de trabalhos, Marga destacou que os impostos são um grande empecilho, 48%. Com isso, o jeito é pedir ao artista ou outra pessoa que venha ao Brasil com a obra debaixo do braço.
A diretora também comentou sobre o caráter de agência de artistas que a Bolsa de Arte incorpora, representando um grupo de 30 artistas bem como, eventualmente, apostando em novos talentos. Contudo, definiu como anti-profissional o artista que apenas usa a galeria apenas para exposição.

- Fontes -
Anotações feitas durante a visita.
Site da Bolsa de Arte de Porto Alegre: http://www.bolsadearte.com.br
Acessado em 22 de junho de 2013.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Confissões de Agostinho de Hipona

Em Confissões, Agostinho de Hipona se dirige a Deus de forma penitente, lamentando-se por pensamentos e práticas incompatíveis com os ensinamentos cristãos que ele havia praticado quando jovem. No início, o santo fala com arrependimento sobre as libertinagens de sua adolescência. O futuro patriarca da Igreja era afeiçoado aos prazeres carnais:
"Era para mim mais doce amar e ser amado, se podia gozar do corpo da pessoa amada. Deste modo, manchava com torpe concupiscência aquela fonte de amizade."

Além do sexo ser central para um relacionamento amoroso, para Agostinho, tais interações também estavam inexoravelmente ligadas a sentimentos negativos, as "esbraseantes varas do ciúme, das suspeitas, dos temores, dos ódios e das contendas".

Outra de suas falhas é o prazer dramático, manifestado através de compaixão como espectador de peças teatrais onde os personagens passavam por infortúnios na vida. Para Agostinho, a demonstração de tal compaixão era sinal de prazer e satisfação em testemunhar a desgraça alheia, ou até o desejo subconsciente de que tais infelicidades também o acometessem.
"Mas eu, miserável, gostava então de me condoer, e buscava motivos de dor. Só me agradava e me atraía com veemência a ação do ator quando, num infortúnio alheio, fictício e cômico, me borbulhavam nos olhos as lágrimas. Que admira pois que eu, infeliz ovelha desgarrada do vosso rebanho e renitente à vossa guarda, me afeiasse com ronha hedionda?"
Por fim, antes de começar a relatar sua aproximação de Deus, Agostinho revela seus estudos de retórica quando na idade de 19 anos, prática condenada por ele, classificada como uma espécie de "arte da mentira". Naturalmente, ele sente-se mal por um dia ter se orgulhado pelo fato de nessa época estar em um círculo social onde a retórica era um distintivo de elegância.
"Os estudos a que me entregava, e que se apelidavam de honestos, davam entrada para o foro dos litígios, onde me deveria distinguir tanto mais honrosamente quanto mais hábil fosse a mentira. Quão grande é a cegueira dos homens que até da cegueira se gloriam ! Já naquele tempo era o primeiro da escola de retórica, coisa que me alegrava soberbamente e me fazia inchar de vaidade."